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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Solilóquio

Publicado no Utopia Ativa , agora  aqui

A minha cara não lhe mete medo,
Nem o face a face e o olhar,
Vem que não há segredos,
Existem mil motivos para lhe conquistar.
Tudo é tão transitório,
E não custa nada sonhar,
De uma maneira simplória,
A vida é experimentar.

Não há becos sem saídas,
É só sair por onde entrou
O coração assustado,
Que de repente se apaixonou.
(@by Adilson S. Silva)

Sobre a vida

(Um poema para reflexão)

A dor visita a alma.
Visita e vai embora,
O prazer é passageiro,
Fugaz e estranho,
Vem como uma onda,
Marola, cresce e passa,
Anda por onde a dor anda,
Disfarça a felicidade,
Impede que o amor nasça.

Seja aqui ou acolá,
Não adianta fugir,
O centro da vida
É onde a vida está.
(©by Adilson S. Silva)

domingo, 26 de junho de 2011

Teus olhos

Teus olhos
Reluzem,
Encantam,
Seduzem...
Teus olhos
Iludem ,
Furtam a cor...
O brilho de teus olhos
Me sega;
Me seca;
Me suga;
Me despe;
Me seduz;
Me desatina;
Quanto mais eu penso
Quanto mais eu fujo
Dessa força imensa
Mais me sinto preso
Na retina
Do teu olhar
... intenso...
(©by Adilson S. Silva)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Variações V - Fantasias

Pelo o amor, chama que arde
Viajei ao fim do mundo
Num risco de um segundo
Mesmo assim já cheguei tarde
Para ver o que não ví

No bater das velhas ondas
Numa praia , madrugada
E voce enamorada
Na  janela debruçou
Pensando só em ti

Pelas noites, madrugadas
A lua nova não brilhou
O meu rosto serenou
Revelendo uma saudade
sentindo o que não vivi

Lua cheia vigorou
Fez clarão dentro de mim
Com esse amor e a maresia
Pegado o trem na mesma estrada
Fantasia , namorada
Uma viagem chegando ao fim

(©by Adilson S. Silva)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A noite (revival)


Estavam ali,
Eram versos e prosas
Eu os li
Eram flores e rosas
Eu as vi
Era uma noite e;
A noite guarda seus mistérios,
Invade toda a rua,
As estradas e seus faróis
Mostra e esconde a lua,
Segredos sob os lençóis.
Noite de tudo cúmplice
Noite de silêncio vigilante
Noite dos descansados,
Das crendices...
Dos poetas
E seus amantes.
A noite guarda seus mistérios...
(©by Adilson S. Silva)

domingo, 12 de junho de 2011

Para dizer que não falei de amor

Quando é que o amor faz sentido?
Nos dramas vividos, ou
Nos sonhos nunca cumpridos?
O amor é loucura,
O ferro que fere
Um peito dorido
Ou o balsamo que cura?

O amor é tão distraído
Vai-se despercebido
Finge-se  de perdido
Mas, chorar de amor
É já ter sorrido...
(©by Adilson S. Silva)

Variações IV - Sem poesia


Escureceu
A poesia se escondeu
A lua não apareceu
E lá estava o poeta...
Caçando estrelas
Inventando versos
Para clarear o breu
Do solitário coração
De olhos fechados
Esperando bocas
Loucas para beijar

Nada aconteceu
Ela não apareceu
Não havia a luz
Era poeira e vento
Não se desfez o breu
Só pensamentos
O poeta, o dia
O ponto final
Na folha vazia
A poesia
Não aconteceu
(©by Adilson S. Silva)

domingo, 5 de junho de 2011

A boca da noite...

Anoitece,
A boca da noite
Logo vai surgir.

É a noite pura,
Que nos comparece,
Com sua boca enorme,
Pra nos engolir.
Quanto mais adentra a noite,
Mais ela inventa de nos consumir.
Bate saudade feito açoite,
Que faz pernoite,
Do peito não quer sair.

A boca da noite...
Já vem nos engolir...
(@by Adilson S. Silva)

Além do jardim

Além do jardim
Alecrim e jasmim
Esperam bem-me-quer
Ou margaridas afins
De um romance qualquer
E a rosa então
Se pintou e pintou
Com a cor da paixão
Num prelúdio sem fim
Com Dentes de leão
A devorar o que restou
De uma trama de amor
Dançando uma valsa
Ou um samba canção
(©by Adilson S. Silva)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Sexualidade feminina e suas dificuldades

As elaborações tanto em Freud quanto em Lacan nos levam a compreender como a inscrição do feminino resta problemática. A sexualidade descoberta por Freud foi mal acolhida na cultura e acaba sendo acusada de pansexualismo. Curiosamente, um pansexualismo onde o outro sexo não se encontra em lugar algum.
No inconsciente decifrado por ele, Freud descobre  que o outro sexo não existe, não há pulsão genital no inconsciente. As pulsões  nada dizem sobre o macho ou fêmea, pois se  encontram tanto no menino quanto na menina e a  questão sobre o quê distingue a  essência da mulher permanece misteriosa. Freud se ocupara obstinadamente elaborando uma explicação sobre a heterossexualidade.
Falar em feminilidade é falar de uma conquista realizada pela menina, de um tornar-se mulher, visto que ela, menina, não nasce como tal. É preciso percorrer um caminho para que possa escolher ou não o caminho da feminilidade. Freud credita à mulher uma natureza pulsional passiva que encontraria na maternidade a melhor solução para a inveja do pênis.
Após a introdução da primazia do falo em 1923, Freud consegue marcar uma diferença entre o complexo de Édipo masculino e o feminino. A introdução da fase fálica levou-o a estabelecer um período pré-edípico para o Édipo feminino, além de três saídas para a menina frente à castração: a masculinidade (manter-se fálica), a neurose (o abandono da sexualidade) e a feminilidade propriamente dita (desejar o falo em forma de bebês) . Estes apontamentos servem para demonstrar que, mesmo Freud não tendo utilizado o termo 'falo' explicitamente, a referência fálica está lá inscrita. Lacan (1958) relembra que, na obra de Freud, qualquer que tenha sido o remanejamento teórico, a prevalência desse centro fálico jamais foi abandonada.
Mas, isso também nos leva a perceber que mesmo para Freud nem todas as mulheres são mulheres.
Mas, o que é a mulher?
Essa questão coloca, para a clínica psicanalítica, a feminilidade como um tema da maior importância.
Os fundamentos sobre a sexualidade, a construção do conceito do complexo de Édipo eas sucessivas aproximações de Freud a respeito da feminilidade levam Lacan a retomar a questão no seminário 20 – Mais Ainda. Enquanto pela via exclusiva de Freud, a questão dos sexos pode se fechar na anatomia como destino, em Lacan, ser homem ou ser mulher é uma distinção frente à castração e à modalidade de gozo.
Mas porque Lacan diz que a mulher não existe?
Esta afirmativa é sem dúvida uma das mais enigmáticas do ensino de Lacan. Esta frase só adquire seu significado dentro das premissas das formulas quânticas da sexuação. Os membros do conjunto mulher satisfazem à proposição de não existir ao menos uma mulher que não esteja submetida à castração. Por isto, Lacan diz que não há conjunto possível das mulheres e que elas devem ser sempre contadas uma a uma.
Sendo o conjunto universal fundado por uma exceção e não havendo exceção do lado feminino, é impossível, para o feminino, formar o universal do ponto de vista da função fálica. Por esta razão, a expressão 'A Mulher' com o artigo definido feminino para designar o conjunto universal d'A Mulher é inadmissível.
Falar da mulher, no campo freudo-lacaniano, não é referir-se ao masculino ou ao feminino como gênero, mas é apontar uma posição psíquica em que a castração ocupa um lugar importante. Esta posição psíquica marcada pela castração pode ser escutada pelo analista, médico, amante, etc, a partir de um discurso marcado por um mal-estar e, ao mesmo tempo, convocando aquele que o escuta a doar a palavra, o dinheiro, etc, que lhe falta. Dizer da posição psíquica feminina, em termos psicanalíticos, implica abordar a questão da sexuação pelo viés da linguagem e do gozo. Desta forma, entendemos que uma posição subjetiva feminina diz respeito a estar não toda submetida à égide do falo. Esta maneira difere dos conceitos, ou das representações sobre a feminilidade que, por sua vez, correspondem a uma “invenção” cultural, produções discursivas ou imaginárias que tentam dar contorno a este vazio próprio e estrutural da posição feminina, assumindo diferentes roupagens ao longo do tempo e produzindo possíveis deslocamentos e enodamentos.

                         (©by Adilson S. Silva)

domingo, 15 de maio de 2011

Variações III

Para que lado foi a vida
Depois que a tempestade passou
Devassou tudo
Só restou a solidão?
A dor comparece
De um amor desesperado
Dessas dores da paixão
Rodopia calada
Gira feito pião

Para que lado foi o beijo
Que faz com que tudo aconteça
Foi-se calado
Nas asas de uma ilusão
(©by Adilson S. Silva)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Paralelas

Guardei seu olhar
Em cada olhar
Que busco
Nessas questões paralelas
Sem conseguir decifrar
O amor que vem sempre visitar
O silencio que não sabe o que fazer
Com as palavras do olhar
Ou outra coisa qualquer
Que habita seus desejos
Insensatez
Tolice
Estupidez
Ou simplesmente círculos
Loucura
Tangente
Buscando o infinito
Dessas questões
Da solidão do olhar,
Um amor sem palavras
Só se dá na ...
Confusa paixão
(©by Adilson S. Silva)