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domingo, 13 de setembro de 2020

O recalque originário e a foraclusão do Nome-do-Pai.

 O recalque originário e a foraclusão do Nome-do-Pai.

 




No seu texto "Die Verneinung"(1925) (traduzido como denegação); Freud argumenta que o juízo de atribuição é anterior a um juízo de existência articulado em uma denegação, uma vez que deve haver uma representação prévia do que é negado. Este julgamento interroga sobre a diferença ou a semelhança entre uma representação e uma percepção e diz respeito ao reencontro do objeto de satisfação. Freud propõe que antes da "Verneinung" (denegação) deve haver uma "Bejahung" (afirmação) que ocorre ao mesmo tempo que uma "Ausstossung" (expulsão), operação que ele entende como constitutiva do psíquico e regulada pelo princípio do prazer. Expulsão do desprazeroso, inclusão do prazeroso, primeira distinção entre um dentro e um fora.
Desse modo, a denegação é uma formação tardia a serviço do recalque.
Em “História de uma neurose infantil: O Homem dos Lobos” (1918), Freud já havia nos advertido da diferença entre a Verwerfung (foraclusão) e o recalque. A negação inerente à “Bejahung” (representado por Freud junto com a noção de “Ausstossung”) instaura o recalque primário (Urverdrängung) e participa da estruturação do sujeito neurótico. A noção lacaniana de foraclusão encontra uma de suas origens nesse rechaço fundador (Verwerfung). A "Verwerfung" (foraclusão) é um obstáculo à representação significante do que ficou fora da "Bejahung" (afirmação) primordial; então, se o recalque é formador de sintomas, no sentido analítico do termo, a foraclusão gerará fenômenos diversos, como alucinação e outros fenômenos elementares.
Na alucinação, não se trata de um transtorno perceptivo, mas da presença de um S1 no real, desconectado de S2, sem nenhum efeito de significado, mas que provoca uma experiência enigmática que é vivida pelo sujeito com um sentimento de perplexidade, pois ele não conta com a significação fálica que lhe permitiria construir uma resposta subjetiva para essa experiência. No autismo, me parece que não há esse sentimento de perplexidade, o autista se utiliza de outros recursos para o tratamento do significante no real.
Foraclusão do significante Nome-do-Pai, provoca um buraco no simbólico. Esse buraco no simbólico aparece redobrado no nível do significante e no nível do significado.

Comentarios sobre O seminario 20 – Cap. V
Aristóteles e Freud: A Outra Satisfação
Adilson Shiva
12/09/2020

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